Histórico A UNIÃO PARA AS ARTES PLÁSTICAS é a realização de um anseio antigo e muito justo. Nos anos 60 (sob fervescência política e regime militar iminente) o visual do centro da cidade do Rio de Janeiro era bem diferente. Nessa época derrubou-se o que restava do morro de Santo Antônio, deixando-se apenas o convento, e alargou-se a avenida Chile a exemplo da avenida Rio Branco. Várias mudanças pareciam inevitáveis em razão do aumento da densidade populacional e das suas consequências na infra-estrutura disponível. A capital do país já era Brasília, mas a antiga capital era social e economicamente renitente em relação á trasnsferência física do centro político, ao que somava-se o fato da nova capital não ter ainda tradição nem cultura própria. Na verdade, até há alguns anos antes não era mais que cerrado.

Ademais, como era natural para uma capital de tamanha consistência histórica e cultural, os mais importantes movimentos artísticos brasileiros, originados entre Minas Gerais e São Paulo, desaguavam seus afluentes de idéias, conceitos e emoções no Rio de Janeiro. Discutia-se arte nos bares, bondes e lotações, no embalo da programação de rádio e das colunas impressas, as principais mídias da época. Vendiam-se Angú do Gomes e Cachorros Quentes Geneal, quitutes no Tabuleiro da Baiana, alguns poucos ambulantes vagueavam anunciando bilhetes lotéricos:"Vaca, galo, o gato!" e outros bordões nem sempre cacófagos, mas que contribuíam para a composição graciosa do estereótipo do carioca, mais divertida do que perigosa. Não era razoável associar os profissionais de rua com criminalidade, embora esta sempre existira, desde que libertaram milhares de escravos sem um plano de governo que lhes desse utilidade, porém nada comparável aos perigos que temos atualmente.

Desde muito antes do reconhecomento oficial, o centro da cidade sempre fora o principal nicho artístico e cultural da cidade, hoje internacionalmente conhecido como Corredor Cultural do Rio de Janeiro, e nele já se viam pintores e desenhistas no Largo e nas laterais de prédios antigos da avenida Rio Branco como o Teatro Municipal, o Museo de Arte Moderna e o Palácio Monroe, antiga sede do senado e inexplicavelmente vitimado. Muito antes da construção da estação Carioca do Metrô, muitas pessoas vinham ao Edifício Avenida Central para comprar alguma coisa como sanduíches e sorvetes no Bob's, ou a trabalho, e dali saíam para dar uma boa olhada em pinturas expostas na travessa ao lado, puxar conversa com os artistas, sempre predispostos na esperança de mais uma venda. Estes artistas sempre tiveram a consideração da população local e dos turistas, e destes porque reencontravam a sensação de civilidade, associada à arte popular, que traziam de seus próprios países, onde sempre se expôs arte em logradouros públicos.

Este nicho artístico e popular é o verdadeiro berço da União, e ainda existem artistas no local remanescentes daquela época, obviamente dentre outros mais jovens. Então, antes que o passar dos anos e a renovação natural de artistas no Largo (e de políticos no poder) de alguma forma descaracterizasse o nicho, era necessário protegê-lo com os direitos e prerrogativas de uma instituição legalizada. E foram feitas diversas tentativas, frustradas ao longo do tempo em razão de que o nicho existe há muitos anos, mas a política (seus conceitos e conveniências) é bastante instável e seus mandatos duram apenas 4 anos. É justo dizer aqui que algumas vezes se viu o reconhecimento do poder público para com a arte popular, no entanto apenas na forma de exigir o preenchimento de dados cadastrais e o fornecimento de fotos 3 por 4. Como não se administrava o uso do espaço público, cada nova administração que o quisesse tinha de fazer tudo novamente.

Pois agora existe a União, predisposta a dar a sua contribuição para todas as soluções possíveis e legítimas e predisposta a sobreviver a todos os mandatos, para honrar aos que só foram vencidos pelo tempo e pelo amor à arte. Predisposta a abrir os braços a todos os artistas plásticos e a representá-los dentro dos seus limites.
ACOPLAN
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