MANIFESTO
PELA ARTE POPULAR
União Para As Artes Plásticas
(Instituição sem fins lucrativos e apartidária,
dedicada à valorização das artes plásticas e do artista popular.)
Rio de Janeiro, 07 de julho de 2.010.
Em nome dos artistas plásticos populares do Rio de Janeiro e de todos os cidadãos que, artistas ou não, reconhecem e respeitam a manifestação artística profissional não acadêmica como direito ao exercício honesto de cidadania, que só tem a valorizar a urbe e seus cidadãos, que por expor ordeiramente produtos autênticos de arte em logradouros públicos não se confunde com nenhuma forma de marginalidade, ou qualquer outra conotação pejorativa atribuída injustamente pelo neologismo político "desordem urbana", e que há décadas detém a legitimidade conferida pela imensa maioria do público, a...
União Para As Artes Plásticas
vem pedir a sua adesão em favor...
1 - Do efetivo reconhecimento, por parte da administração pública, do direito à exposição ordeira de produtos de artes plásticas, nos mesmos locais desta cidade do Rio de Janeiro onde se fizeram tradicionais por mais de 30 anos de trabalho, sem colaboração ou incentivo das diversas gestões do interesse público, com exceção de candidaturas eleitoreiras;
2 - Do efetivo reconhecimento desta Instituição, da sua representatividade, hoje formal, dos seus legítimos objetivos estatutários, dos seus projetos de beneficiamento social e da sua iniciativa inequívoca de colaborar com a gestão da ordem pública; e...
3 - Da responsabilidade social de ser capaz de discernir profissionais de artes plásticas, que optam pela legalidade e pelo trabalho pacífico, de toda sorte de pessoas que fazem opção contrária, e se investem do falso direito de reagir com violência à ação legítima do estado.
E oportunamente contra...
A "covardia" que representantes da Secretaria de Estado da Ordem Pública e Social (SEOPS) vêm praticando, com a conivência da Sub-Prefeitura do Centro da Cidade, de retirar os tradicionais e ordeiros artistas plásticos da Rua Bitencourt da Silva (Largo da Carioca), para em seguida permitir a ocupação do mesmo espaço por comerciantes sem nenhuma relação com a produção de artes plásticas, sem sujeição a uma instituição formal representativa de alguma classe e compromissada a colaborar com o poder público, e em cujo meio se reconhecem com grande facilidade os ineficientes esforços do poder público de contenção de ilegalidades.
Igualmente inexplicável mostra-se a proibição de expor às sextas-feiras, em espaços também tradicionais de artes plásticas e internacionalmente reconhecidos, como as feiras turísticas de Copacabana e Ipanema, como se fosse justificável alguma predisposição contra a sexta-feira, e como se não houvessem outras feiras, compostas na sua maioria por comerciantes e não por artistas, muito incoerentemente autorizadas a funcionar durante 6 dias semanais.
Você não estará só...
Nenhum artista plástico poderá minimizar o descaso do poder público agindo individualmente. Saibam todos quantos souberem deste manifesto, que não estarão sós em participação. Não obstante sermos uma Associação recente, legalizada no ano passado, já temos os nossos primeiros projetos em processo de enquadramento na legislação de incentivo fiscal, e oferecidos a empresas com impagável e tradicional predisposição para patrocínio e apoio a propostas culturais e artísticas. Temos respaldo em legislação, já contamos com o apoio de várias autoridades públicas e legislativas, juízes e desembargadores que já conhecem e estão atentos ao desenrolar da nossa causa social. E em breve poderão verificar que já sensibilizamos representantes das mídias, e artistas não populares.
Todos reconhecem a vocação natural e histórica do Rio de Janeiro para ser capital das artes, sem que se desmereça outras cidades artistica e culturalmente importantes. Contudo, o que há de novo no apoio que temos recebido, é o reconhecimento de que no bojo das transformações institucionais e democráticas em curso, a expressão artística respeitada tende a deixar de ser uma exclusividade do academicismo, na medida em que se reconhece a autenticidade da estratificação social da expressão artística popular, ou não acadêmica, com a liberdade de não ser submetida a um rigor técnico que, embora não se lhe recuse a importância, não deve inibir a sensibilidade, as idéias e emoções, e as técnicas utilizadas por artistas populares, que não apenas as exercem dignamente, como em muitos casos ainda lutam para sobreviver delas, apesar da ausência de políticas públicas claras a seu favor e de ações que não os dintinguem de contrabandistas e outros criminosos.
Venha conosco, participe...
Juntos poderemos resgatar o artista plástico popular, e logo os artistas de todas as linguagens. Unindo forças poderemos torná-lo mais sedutor para o capital e para a representatividade política. Dando-nos as nossas mãos de artistas poderemos construir uma obra bem maior do que qualquer trabalho individual...
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